Depois de 2 anos do lançamento do fiasco "RISK", que decepcionou a grande maioria dos fãs da banda, por ser um disco não tão voltado para o heavy metal, e sim mostrando um Megadeth a procura de novos caminhos para sua música, "THE WORLD NEEDS A HERO" chega cercado de apreensão, ainda mais depois da saída de Marty Friedman, que foi substituído por Al Pitrelli (ex- Savatage, guitarra).
Já faz algum tempo que Dave Mustaine não mostra mais a genialidade encontrada em discos como Peace Sells e Rust in Peace, mas é impossível dizer que discos como Countdown To Extinction e Youthanasia são ruins (muito pelo contrário são ótimos).
Em "The World Needs A Hero" o MEGADETH com certeza está de volta ao heavy metal, desde a capa com a volta do mascote VIC até o visual da banda, porém o som não traz tanta energia como antigamente, seguindo uma mesma fórmula e sem maiores inovações. Todas músicas são boas, mas não tem nada que realmente empolgue ou que seja do nível dos trabalhos antigos da banda.
Logicamente temos alguns destaques e algumas músicas merecem observações: “The World Needs a Hero” talvez seja a música mais “diferente” do CD e por isso traz um atrativo a mais, “1000 Times Goodbye” é uma grande faixa, “Burning Bridges” tem um excelente refrão, com uma boa melodia, “Promises” é uma boa balada e serve para quebrar um pouco o rítmo do CD, “Recipe for Hate...Warhorse” e “Dread and Fugitive Mind” não deixam a peteca cair e “Return To Hangar” mostra que Mustaine ainda sabe compor músicas pesadas no estilo de Rust in Peace, com muitos solos e com levadas bem mais heavy metal, mas não chega nem perto da verdadeira Hangar 18.
Al Pitrelli cumpre seu papel perfeitamente, e o baterista Jimmy DeGrasso mais uma vez mostra que toca muito, mas que por má sorte não entrou numa fase muito boa para o Megadeth.
No final das contas THE WORLD NEEDS A HERO é um bom disco, que não decepcionou os fãs, mas que também não vai trazer o MEGADETH ao topo mais uma vez, mas sim contar como mais um CD na grande discografia da banda.
Comentário faixa a faixa:
1. Disconnect: Esta faixa é bem estilo Countdown to Extinction. Refrão com backing vocal, melodia bem a-lá-This Was My Life... muito boa mesmo... um solo incrível... abre muito bem o álbum.
2. The World Needs A Hero: A faixa título também é cheia de peso. A bateria de DeGrasso começa detonando. Um refrão interessante... mas o mais interessante é o solo... realmente, a base pesada com a guitarra detonando ficou muito boa.
3. Moto Psycho: A música tem um riff muito legal, refrão bom, mas não é tão contagiante. Aliás, o mais interessante desta música, na minha opinião, é o solo. Outra coisa interessante é a mudança de Moto Psycho para Coming Home (que o MEGADETH resolveu não lançar neste álbum). Do nada, a música vai ficando lenta e se "transforma" em Coming Home. É legalzinha...
4. 1000 Times Goodbye: O começo é destruidor, e assim se segue pela música. É uma música realmente surpreendente, com um refrão bem Cryptic Writings. Solo alucinante. Muito boa mesmo.
5. Burning Bridges: Quando eu ouvi o começo, me veio à cabeça: "Ah não, uma do estilo Risk..." mas eu estava redondamente enganado. A música ganha um peso brutal, lembrando os velhos tempos. O refrão me lembra um pouco "Use The Man", e o solo é, mais uma vez, surpreendente. Al Pitrelli realmente se encontrou dentro do Megadeth.
6. Promises: A balada do CD. O começo lembra um pouco a "No Leaf Clover" do Metallica, ou até mesmo a "Dream On", do Aerosmith. Mas depois toma direções bem diferentes. Com violinos e violãocelos, esta música é uma demonstração da criatividade de Mustaine. Muito boa.
7. Recipe For Hate... Warhorse: Maravilhosa. Simplesmente maravilhosa. O começo é pesado, mas depois dá lugar ao baixo de Ellefson e aos vocais de Mustaine ( que recitam a letra ). Depois de certo tempo, um belíssimo solo. Depois disso, um peso incrível e aí está Warhorse!! Pesada, com solos incríveis. Mais uma vez, este álbum nos leva aos velhos tempos. Incrível.
8. Losing My Senses: É bem diferente do estilo do Megadeth, mas mesmo assim é interessante. Um riff insistente, é uma música perfeita para ser ouvida na estrada... é uma ótima música, também...
9. Dread & The Fugitive Mind: Embora a maioria dos fãs já tenham ouvido esta música no Capitol Punishment, vale a pena destacá-la novamente. Muito boa, com um peso incrível, me lembra Sweating Bullets. Muito boa mesmo.
10. Silent Scorn: Sim! Sim! SIM!! Esta é a segunda música instrumental da carreira do Megadeth!! E que música! Um peso incrível, com duetos na maioria das vezes... lembra muito o MEGADETH antigo...
11. Return To Hangar: Sem comentários. O MEGADETH consegue criar uma música que faz inúmeras referências à Hangar 18 e que é tão pesada quanto. Incrível, uma das mais pesadas dos últimos tempos, e a característica frase: "Possibly I've seen too much, Hangar 18 I know too much"... incrível, uma das melhores do CD.
12. When: O começo parece "The Call Of Ktulu". O meio parece "Am I Evil". Mas o solo... ah, o solo... um peso incrível da base em contraste com a melodia do solo cria uma atmosfera toda especial em volta da música mais comprida da carreira desta incrível banda. É um destaque do CD, com certeza.
Enfim, após 4 anos, podemos dizer: WELCOME BACK, MEGADETH!
Nota: 9,5
Formação
Dave Mustaine: Guitarras e vocal
Al Pitreli: Guitarras
David Ellefson: Baixo e backing vocal
Jimmy DeGrasso: Bateria
Tracklist
01 Disconnect
02 The World Needs a Hero
03 MotoPsycho
04 1000 Times Good Bye
05 Burning Bridges
06 Promises
07 Recipe For Hate - Warhorse
08 Losing My Senses
09 Dread An The Figitive Mind
10 Silent Storm
11 Return To Hangar
12 When
